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sexta-feira, 8 de julho de 2016

TikiRio - Camorim até a Urca

Resolvi buscar o TikiRio para as olimpíadas. O barco já estava em Angra desde o natal e aqui fica melhor para as manutenções de inverno.
Aproveitando as frentes frias que vem do sul nesta época do ano. A previsão marcava NW quarta a tarde, com uns 10 nós, e parando de noite para a entrada de uma pancada de SW na madrugada, e SW constante de 15 nós durante a quinta inteira. Pensei, NW é popa para ilha grande, faremos um pernoite lá e saímos de vento de alheta e mar a favor. 
Chamei meu amigo e aluno de vela, Marcelo, marinheiro de alguns passeios, mas era sua primeira travessia. Ele perguntou o que que era pra levar e eu respondi: tudo quanto é roupa de frio e chuva que vc tiver pra vestir. Mesmo assim ele topou, "o cara é bom" pensei. 
São 83 milhas, 13 até o pernoite e 70 até o Rio. 

Rota Camorim - Urca















Partimos do Camorim em Angra as 18:00 e chegamos ao Abraãozinho as 20:00 sem conhecer direito a praia, ancorei um pouco menos distante do que deveria. Mas isso me custou uma noite de sono. Tudo tranquilo e lindo com um céu que não via a tempos, muitas estrelas. Mas, lá pelas 01:00 o vento entrou de S e com umas rajadas loucas que desciam da montanha. A vela grande começou a se soltar subi para o convés para reforçar a amarração, com meu peso debruçado no binimi o velcro se soltou, começou a bater, chamo Marcelo para ajudar, no meio disso tudo o alarme de ancora toca, olho para minhas referencias em terra e ainda demoro alguns minutos para confirmar que estávamos garrando. Corri e soltei mais cabo e fui ligar o motor. O barco deu aquele tranco tipico de que a ancora tinha unhado. Olhei a ré e estávamos a barlavento de uma fazenda de ostras a uns 20m de nós. Tentei tirar a ancora no motor, mas contra as rajadas não deu, o vento jogava água salgada na cara! Rajadas de 50 nós! (se voces lerem a descrição na escala beaufort  pra levantar água do mar tem que ser mais de 50 nós) A sorte é que elas duravam dois a três segundos. Mas variam tudo que não estivesse amarrado no convés, perdi minha bandeira do brasil novinha!!! Passei o resto da noite vigiando a ancora e dormi muito mal, pois acabamos ficando desabrigados do SW que entrou constante depois da primeira pancada.

















No dia seguinte, acordei tarde, o despertador tocou as 5:30 mas só consegui me mexer as 6:30, demoramos uma meia hora para tirar a ancora e partimos as 7:10 da ilha grande. Ao sair da proteção da ilha encontramos um mar ainda muito cruzado e vento médio aumentando. As 10:00 já estávamos no través da laje da marambaia, o que dava uma média de cinco nós por hora, mas vinhamos melhorando entre seis e oito nós de velocidade o barco se encaixava melhor na ondulação e o balanço era menor, mas o tiki começou a dar umas surfadas de 10 nós que estavam forçando muito, rizei o grande, de vento em popa mesmo. o barco continuou andando a 6 / 8 nós, com bem menos esforço no velame. As 13:00 cruzamos o farol de Guaratiba, bem por fora, pois fui dando lazeira da costa, o mar estava ficando grosso.  Dei uma rizada na buja (enrolei metade) E continuamos mantendo os 6 / 8 nós de velocidade e agora mais confortáveis um pouco, pois a ondulação após o Recreio, ficou mais definida de SW. As 16:00 já estávamos no través das Ilhas Tijucas e avistamos baleias !!! No outside da Barra já tínhamos visto uma baleia piloto, pequena que cruzou na nossa proa soprando água. Entre as Tijucas e as Cagarras avistamos uma Jubarte enorme, dando saltos de meio corpo pra fora d'água, mas não conseguimos fotos. Como estavamos muito lá fora o SW acabou ficando muito empopado, tirei a buja e fui no grande e motor, andando a 6 nós com 30% de aceleração. 
Chegamos na poita as 17:40 hs completando as 70 milhas em 10:30, com média de  6,7 que fora o frio, foi ótimo. Vejam as fotos:


sorriso adrenalina






















quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Travessia Rio - Itacuruçá

Resolvemos subir o TikiRio em Itacuruçá. A semana marcava ventão todos os dias e sempre favoráveis. Saimos as 6:40 da manhã da baía de guanabara já com um vento SE / E de 10 nós. Mas wind guru marcava 22 nós com rajadas de 29 as 16:00. Calculamos que se mantivessemos a média de 6 nós chegariamos atras da Marambaia no Pico do vento. Motoramos com o grande em cima até o recreio, aonde o vento começava a aumentar. Pouco depois já estava 15/18 subindo, resolvemos tirar a buja, depois rizamos, depois achamos que foi muito e voltamos com a buja, o vento já batia os 20 nós, mas sempre de popa. A asa de pombo funcionou por um periodo, mas partimos para o traves folgado e o barco começou a surfar a 10 nós as ondas, tudo na maior tranquilidade. O vento foi aumentando, tiramos a buja, e lá pro meio da tarde demos o segundo rizo. Esta foi a primeira vez que usei todos os rizos do TikiRio, o vento manteve-se acima dos 20 nós a tarde toda, com picos de 30 e o mar foi crescendo, querendo ou não iamos ser jogados dentro da baia da ilha grande, no ultimo bordo antes da marambaia, o mar fez nós derivarmos um pouco mais que o desejado e acabamos fazendo um través com mais de 25 nós de vento e ondas de 1,5 a 2, mas o tiki estava lonje do seu limite e nós em perfeita segurança conseguimos chegar as 16:15 ao ponto desejado. encaramos mais 2 horas de contravento só com o grande para chegarmos a Itacuruçá.
Pena que o video abaixo não transmite a força G e a real dimensão do vento. São 6 min de video, quem tiver paciência vai curtir.


quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Cabo de São Tomé

Cabo de São Tomé, mais uma vez.
O Delivery
Fui convocado por um amigo para trazer um veleiro de Guarapari para o Rio. Cheguei em Garapari na terça dia 16/12 e a saida estava prevista para quinta a zero hora. Mas devido aos preparativos para a viagem não completos, o zarpe atrazou e só saimos de lá no sabado.
O barco é um motorsail de 45 pés de 1973, um Columbia 45. Um classico dos anos 70. Pesando 13 ton, é um barco de deslocamento pesado, Mas com o motorzão de 80hp e um historico de 2 voltas ao mundo, me senti seguro para leva-lo pelo São Tomé.
Sabado 05:00
Zarpamos de Guarapari no motor, mas já com as velas levantadas, pois já sabia que lá fora o nordeste já estava começando. Após um pequeno traves até proximo do farol de guarapari, arrimbamos para 190º verdadeiros. Seguindo assim por 13:50 passariamos por fora dos bancos do "rabo do dragão" como os locais chamam os bancos de areia que se afastam da costa até 10 milhas. 
Mas apos 2:30 de motorada, o motor arrebentou a correia e deu entrada de ar. Como tinhamos uma correia e o vento já beirava os 20 nós, voltar não seria uma opção. Estavamos indo para o Cabo como os antigos, sem motor. Ladeira abaixo, o barco andava a seis sete nós, tava na media desejada. 
Eramos 3 na tripulação mas somente dois iriam ficar no leme. O piloto automatico que batizamos de Medina (em homenagem ao nosso campeão mundial de surf) funcionava bem até perto dos 20 nós de vento pela alheta, mas acima disso ele desarmava. O que aumentou o cansaço.
Chegamos ao Cabo as 19:00 como previsto e o vento devargazinho não parava de aumentar. Estavamos 17 milhas lá fora, na linha dos 30m de profundidade, como aconselhado pelo Serginho, experiente skipper. O mar com carneirões de ondas de 2m ou mais, mais mexido que na minha passagem anterior com o Kamehameha, nos empurrava para o sul. A noite chegou e o vento continuou se mantendo acima de 20 nós. Com picos de 30. O balanço era forte, Mas o barco com uma borda livre alta, não molhava nada. Somente com o grande rizado continuavamos andando bem, mas pela madrugada o cançaso bateu forte e o revezamento passou para para meia hora cada um e todos no cockpit. Nessa hora, Nossa Sra dos Navegantes, foi chamada muitas vezes para nos ajudar a nos mantermos acordados e não quebrar nada no barco. O vento só começou a diminuir quando já estava amanhecendo. e lá pelas 7 da manhã Medina voltou a trabalhar. Podemos descançar um pouco mais. e com o balanço diminuindo foi possivel trocar a correia do motor, mas após diversas tenativas a entrada de ar continuava. então a solução foi andar sem os filtros e colocamos um galãozinho de 5 litros dentro do compartimento do motor e alimentavamos esse galãozinho a cada 20 minutos!!! Me sentia naqueles clipper a vapor onde era necessario o pessoal das maquinas ficar abastecendo de carvão o motor o tempo todo. Detalhe o GPS do barco apagou e o meu de pilhas já estava no final. Começei a aterrar e por cansaço achei que já estavamos vendo buzios, mas na verdade ainda era Macaé. Nessa hora ficamos sem pilhas sem celular e sem GPS. Vamos no visual. Medina no leme deu descanço que precisavamos para o proximo cabo, o Cabo Frio, aonde chegamos as 17:00 e o vento aumentou denovo para os 20 nós e desligamos o motor, fomos assim até Saquarema e voltamos a ligar o motor quando a média caiu. Os abastecimentos eram faceis, mas estressantes pois não podiamos vacilar no horario, pois se desse entrada de ar novamente teriamos que ir velejando nesse pesado barco nos ventos fracos da madrugada do Rio. Só no visual a aproximação do Rio de Janeiro para mim era a marcação das ilhas Maricais. Esperava ve-las a cada momento e nada delas chegarem, só depois de confundir muito as marcações costeiras é que lá pelas 2 da manhã vi Maricais, já no meu través de bombordo. Marquei Pai e Mãe e miramos na entrada da Baia de Guanabara, Mas Pai e Mão agora ficam cheia de navios de médio porte ancorados. Mais um estress para tomar conta. 
Por fim ancoramos no Rio as 5:00 da manhã de segunda feira e todos dormiram sossegados o sono dos navegantes. Foram 48 horas de Guarapari ao Rio. Feliz Natal a todos.






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