TikiRio a história...

Este mês fazem dois anos que lançamos o barco n'agua e pra comemorar vou postar a materia que fiz, para resvista Barco & Cia contando a história do TikiRio.

Tudo começou quando eu caí na besteira de assumir publicamente o meu sonho. Quando você conta pra um é uma história, quando você conta pra todos, vira um compromisso e foi assim que ao tornar publico o compromisso com meu sonho ele se tornou realidade.
Cursava a faculdade de marketing e trabalhava como vendedor de brinquedos. Estava no mercado de consumo há 15 anos. Já tinha passado dos 45 anos e ainda não tinha realizado “aquela viagem” ou construído “aquele sonho”. O casamento ia mal, os negócios também. Mas o momento econômico era favorável, fiz o orçamento e comecei a falar com os amigos, muitos gostaram da ideia. Inicialmente seria criar um sindicato para construção de um catamaran, que seria usado em formato de time-sharing (tempo compartilhado). Não tinha lugar para construir, não tinha o dinheiro, mas como dizia Luterking "I have a dream!".
Pesquisando na internet descobri um tiki 26 lá em Florianópolis entrei em contato para fazer um charter. Não ia construir um catamaran sem nunca ter velejado num. Entre telefonemas Rio / Floripa,  descobri que Roberto Costa Souza, seu proprietário, era sobrinho do Cmte Ronald Costa Souza, que nos anos 80 me ensinou a velejar.  Pensei, essas coincidências não são a toa. Passei um final de semana com a esposa lá e pude ter minha primeira experiência com catamarans num ventinho fraco, mas fiquei impressionado com o espaço no cockpit e a estabilidade desse tipo de embarcação.
No dia 29 de abril de 2011, eu e dois amigos firmamos a grana inicial que garantia 50% do valor  do orçamento inicial. O barco escolhido foi o Tiki 30 desenho de James Wharram.
Algumas razões para escolher o Tiki 30:
Facilidade de construção, os cascos podem ser feitos em um lugar e a montagem em outro. 
Custo, com poucas ferragens em inox e mastro em madeira os catas Wharram são considerados os barcos mais baratos de construir.
Histórico, com varias passagens oceânicas e nenhuma historia de capotagem, os catamaran Wharram são muito marinheiros.
A comunidade construtora na internet é grande com diversos blogs para ajudar os iniciantes
Eu já tinha alguma experiência com epóxi. No inicio dos anos 90 fui proprietário de uma fabrica de shapes de skate. Portanto com tico-tico e epóxi eu sabia mexer. Meu sócio Fred Kerr, surfista e amigo de juventude, laminador amador, entendia bem de fibra de vidro e acabamentos. O terceiro sócio seria apenas um investidor. O grupo estava formado.
O primeiro casco foi construído na garagem alugada de um amigo marceneiro no bairro de Jacarepaguá, Rio de Janeiro. Trabalhávamos todos os dias, 4 horas por dia e sábados fazíamos jornada de 8 horas, no inicio até domingo trabalhei, mas logo fui barrado pela vizinhança. Para prestar contas ao sócio investidor, criei um blog semanal , que sem querer, cresceu e acabou se tornando uma referencia em catamarans Wharram no Brasil.
Nesse ritmo em 10 meses estávamos com o primeiro casco fechado aguardando a laminação, quando surgiu a oportunidade de mudar a obra para o Clube São Cristovão de regatas, próximo a ilha do fundão, famoso pelos barcos do Cabinho construídos lá. Atravessamos metade do Rio de Janeiro, em plena Linha Amarela com o Tiki 30 em cima de um caminhão prancha de 10m. Eu indo atrás de fusquinha, maior aperto no coração vendo meu trabalho balançando entre o transito caótico do Rio. Aqui não estávamos mais sozinhos, tínhamos muitos a quem perguntar sobre nossas duvidas de construção, que não eram poucas.
Construir um barco é resolver um ou vários problemas por dia, você aprende a desenhar, cortar, lixar, laminar, pintar, instalar partes hidráulicas e elétricas, muitas tarefas são executadas num dia de trabalho e se não tiver uma lista de tarefas o construtor perde muito tempo. 
No Clube, com vários barcos sendo construídos em ritmos diferentes, nós podíamos comparar as técnicas de construção e as especificações de materiais de diversos projetistas e construtores. 
Eu e Fred discutíamos cada detalhe de cada tarefa, e com o tempo passando, um achava que sabia mais que o outro. E muitas discussões eram mais baixaria que Big Brother Brasil. Chegou uma hora que cada um fazia a tarefa que queria. Resolvemos que o cronograma não servia mais para nada e pra qualquer lado que andássemos estávamos andando para frente, o importante era não parar. 
Assim após 2 anos e um mês de trabalho pesado o TikiRio foi para água. E hoje navega entre o Rio de janeiro e Angra dos Reis, estou preparando ele para um cruzeiro mais longo, até a Bahia, ainda esse ano. A poeira do estaleiro virou lembrança e como diz o Roberto, agora temos um passaporte na poita, pronto para zarpar.
A decisão de construir um barco mudou a minha vida. Hoje mudei de trabalho, sou construtor naval e trabalho na construção de um Samoa 29 em Paraty, e vou continuar ajudando aos sonhadores que tem disposição e coragem para investir em seus sonhos. Entre um projeto e outro estou no mar curtindo o meu próprio barco.
Este foi um projeto que sem a ajuda dos amigos não seria como foi e quero agradecer especialmente a alguns. Sem o Tio Manolo, do Samoa 36, adotado como tio e padrinho do TikiRio. Roberto Costa Souza nosso guru Wharram no Brasil, que por telefone nos tirava duvidas diárias. Cmte Alvaro, Luberto e Rui vizinhos de construção e o Marcos Toledo de Cabo Frio que passou dois meses ao lado do tiki tirando pacientemente todas  nossas duvidas e servindo de juiz para aquelas mais discutidas. O nosso barco não seria o que é hoje. Obrigado a todos.

Paraty 
set/2014

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